segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Procura-se esperança desesperadamente


Pra onde foi a minha inspiração? Cadê? Uma preguiça de acordar. Uma preguiça de tomar banho, escolher uma roupa, escolher entre bolo de chocolate e suco de laranja. Tudo parece ter o mesmo gosto falso de paliativos. De forte somente a preguiça de contar de tantas preguiças.
Da cartilha do sucesso, que manda estudar, amar o que se faz e se relacionar bem, apenas amei. Nem isso faço mais. Sou uma péssima aluna.
Tenho a impressão de ter chegado ao topo de uma montanha, mas ela era muito alta e afastada e ninguém me viu.
Em vez de sucesso sinto segundos desejáveis de suicídio, vontade de pular lá de cima da montanha com o dedo desejando um último foda-se ao mundo. Nem que seja para fazer barulho e sujar o chão dos equilibrados. Nem que seja para fazer falta.
Cadê o gosto intenso de fugir do mundo com um segredo fatal? Não existem segredos fatais: todo mundo come todo mundo por caça e infelicidade. Somos animais tristes e não seres loucos e apaixonados. Eu me enganei tanto com o ser humano que ando com preguiça de me entregar.
Ninguém tem coragem pra mudar nada, ou apenas é inteligente para saber que a rotina chega de um jeito ou de outro, não adianta se mover.
Pra quem faço falta e aonde me encaixo? Aonde sou útil e pra quem sou essencial? Pra onde vou e aonde descanso? Pra quem e por quem vivo?
Freud mexeu três vezes no túmulo com a vontade de me dizer que devo viver por mim. Dane-se a psicanálise: é muito mais gostoso ter outros encantamentos, além do umbigo.
Não que esses encantamentos não sejam para agradar meu umbigo. Ok, fiz as pazes com Freud, que deve achar o egoísta um pouco menos doente que o depressivo.
Ou não, não fiz as pazes com Freud, que acha tudo farinha do mesmo saco e nem está prestando atenção em mim. Ele é só mais um a não enxergar o alto da montanha, mesmo porque ele está embaixo da terra. Incluo Freud no meu "foda-se o mundo". Que papo é esse?
A esperança desesperada por amor e reconhecimento profissional deixou escapar a cansada esperança que se assustou de desespero.
Perdi meu deslumbramento, a válvula propulsora da vida que tive até aqui.
Cansei de me encantar pelo difícil. Que tal um homem e um salário de verdade pra viver uma vida de verdade? Chega da miséria do sonho.
Chega de idealizar uma vida com um fone no ouvido. Eu quero tocar, eu quero cair das nuvenzinhas acima da minha cabeça.
Junto com meu deslumbramento, perdi boa parte de quem eu era. Boa parte tão grande que não tenho para onde ir. Sou uma sem-vida.
Junto com o meu deslumbramento, perdi o rumo: quem não sonha não sabe aonde quer chegar.
O sonho guia, leva longe. Mas de frustrado ele te faz retroceder alguns anos, te transforma em criança assustada. Sei disso quando durmo em posição fetal querendo ser devolvida ao quente da minha proteção primária. Freud volta a ser meu amigo.
Minha esperança é que o sonho esteja apenas cansado e depois de uma boa noite retorne colorido, musicado e perfumado. Eu disse a minha esperança? Então eu ainda tenho alguma? Nem tudo está perdido.
Estou deslumbrada com a vida, que te devolve à infância quando o mundo adulto atropela e fere. Lá na infância você se enche de sonhos e volta preparada para o mundo adulto, que se ocupa a frustrá-los todos novamente.
Eu disse que estou deslumbrada? Não, eu não disse, eu escrevi. Que papo é esse?
Entre idas e vindas me resumo feliz. Entre altos e baixos me resumo equilibrada. Sendo assim, tá na cara e não tem pane: ando meio mal mas vou sair dessa.

(tati bernardi)

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009


Todos dizem que o mundo muda de tempos em tempos, que a cada começo de ano as esperanças se renovam, que a vida tem sempre novas chances de novos começos melhores. Não é que eu discorde do otimismo geral e nem que ache graça em praguejar as esperanças alheias, não.
Mas acontece que eu aprendi de tanto ver - em mim e nos outros - que as manias ruins e as tristezas remanescentes não vão embora só com uma volta completa em torno do sol.
Sabe, às vezes leva anos pra gente descobrir que aquilo que nos fez chorar todas as noites por quatro, cinco anos seguidos, não valia mesmo nem sequer uma lágrima de crocodilo.
A verdade é que perder a esperança é perder tudo, mas esperança com vício antigo não resolve nada.
[Rani Ghazzaoui]

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009


Estou mais uma vez entre surpresas, angústias, frustrações, risos, dramas e desesperos, alegrias e tristezas equilibradas e momentâneas... Minha vida continua a mesma meus dias ainda são os mesmos longos e cansativos, mas agora, me vejo como nunca me imaginei: sozinha.. Estranho, meu maior pavor, meu maior medo e tormento, virou de repente não mais que de repente, um imenso: tanto faz..

Não quero estar cercada de pessoas, dispenso os mimos, os carinhos, os consolos e conselhos, não preciso que leiam e opinem sobre aquilo que escrevo, não preciso de conversas não preciso de visões, não preciso de amigos..

Pra que? Viver em meio de uma grande hipocrisia só pra enganar as aparências, ter uma agenda superlotada de compromissos e uma lista de contatos cheia de pessoas que não merecem nem meu aperto de mãos?

Cansei, demorou mais acordei e acordei cansada de tanta falsidade, vaidade e aparência, acordei mais forte e corajosa, e aproveitei a força efêmera pra mandar tudo pro seu devido lugar, pro inferno..

Por que pra mim não existe tanto faz, não existe meio termo, não existe quase, sou intensa e me orgulho infinitamente disso, quando vejo que algo já não faz diferença, eu faço questão de exterminar, jogar fora, empurrar pra fora de mim, e pra bem longe..Eeeu? Me preocupar, e estragar meu sono e conseqüentemente minha pele abençoada por Deus por causa desse bando de gente feia, de mal com a vida, encalhada que só sabe falar e querer o mal dos outros? Me poupe né? Minha fase de solidariedade foi péssima, mas passou, me arrependo de não ter aproveitado de outro jeito, podia ter ajudado velhinhos nos asilos, criancinhas pobres á aprender a ler ou coisa parecida, qualquer coisa que me fizesse sentir útil, e não uma conselheira de última hora, último caso e “animadora” de auto estima, única disponível no fim da festa, ou então a única que atenderia o telefone quando todos os outros estiverem ocupados ou desligados..

Agora sim, me amo de verdade, escrevo de verdade, e penso de verdade, adoro surpreender os outros, mas sou egoísta mesmo e prefiro surpreender a mim mesma, não existe coisa melhor e como não é sempre que isso acontece, preciso me sentir feliz e comemorar muito, por que me sinto linda, incrível, inteligente, principalmente segura, e não preciso de NINGUÉM pra me sentir assim, no fim, toda essa mentira, e todas essas pessoas de “brinquedo” que estavam presentes só com o corpo e nunca com a alma me ajudaram muito, hoje sei e admito sem medo de parecer arrogante, que sou diferente, definitivamente não sou como elas, eu tenho brilho nos olhos, eu tenho uma energia positiva que transborda, eu deixo todo mundo á vontade perto de mim.. eu me importo e quero o bem de quem eu amo, embora o meu amor seja cada vez mais raro, só para os “poucos e bons” e privilegiados é claro, hoje sei que quem está do meu lado, e sempre esteve é quem merece minha confiança, minhas lágrimas, meu sacrifício, e o meu amor..

Aprendi a ser mais egoísta, pensar mais em mim, e colocar minha felicidade e meu riso em primeiríssimo lugar, me olho no espelho e vejo como é linda, como é amiga, como é meiga e divertida,, a pessoa que estará comigo até o fim dos meus dias.. e então entendo, que não preciso de muitos, preciso de pouquíssimos por perto, já que Deus me deu uma família, uma alma e um amor que valem por muitos..

Segui minha vida assim por muitos dias, tentando me enganar, ou achando que era só “impressão” minha, mas de uns tempos pra cá, vi que é isso mesmo, e que tinha duas escolhas, me conformar ou me conformar, encontrei uma terceira e optei por ela: me conformar e ser feliz, e me tornar ainda mais feliz, mesmo sozinha..

Azar de vocês, dos muitos, que não souberam aproveitar a pessoa que tinham por perto, eu sou raríssima, mas era boba, é tão óbvio, quem se importa demais, nunca é tão importante..

E por que deveria gastar meu tempo com pessoas tão comuns, tão mesquinhas e ignorantes se eu não sou assim, não fui criada assim, e simplesmente, mesmo com tantas caras quebradas, com tantos chutes e pontapés da vida, não consegui me tornar igual? Só pra ter alguma companhia, pra caminhada ser mais fácil, mais leve e talvez engraçada, e pra fazer dieta junto, e pra compartilhar meus muitos pensamentos fúteis? Não, eu não preciso disso, eu sou muito mais que isso, e sei que eu não preciso de vocês, e por que precisaria? Se nas horas difíceis nunca pude contar com a maioria das pessoas que chamava de “amigos”.. mas não digo o mesmo de vocês, já que eu, sempre fui a bobinha que perdoava fácil e estaria lá sempre, disponível pra qualquer coisa e acho que, pelo menos pra quando não havia mais ninguém, eu era útil, não é mesmo? .. mas vejam bem..eu sou racional, e sei muitíssimo bem a hora de mudar, de dar e revira volta e surpreender a quem eu bem entender.. e quer saber? Eu adoooro ignorar e ser indiferente, disso você não sabiam, né? Mas é claro que não, preocupavam-se muito com vocês mesmos, e não deveriam ter tempo pra olhar pra mim, me conhecer melhor, e me entender..

Eu tô dizendo tchau, mas que isso, eu tô dizendo adeus, e até nunca mais, me descobri sincera e de verdade, e agora, quero mais é ficar perto de pessoas como eu , não vou andar pra trás, e ficar do lado de quem não merece minha companhia apenas pra me sentir acompanhada.. não mais..